domingo, 8 de Novembro de 2009

regressões

Parabéns.
Deixei de saber dar-me às pessoas e contigo aconteceu o mesmo. Eu lembro-me de como era quando nos conhecemos. Eu lembro-me que querias saber e sonhavas e gostavas de perceber as pessoas e gostavas que te percebessem e olhavas para as coisas com novidade. Nessa altura também eu via novidade em tudo, talvez porque tudo era mesmo novo. Nessa altura eu era gratuita e dava-me sem medo de nada e porque queria. Agora não sei afastar medos, não escrevo como uma criança maravilhada. Não me deixo falar. Por tudo. Tenho medos imensos e que me tornam mais e mais e mais sozinha e agora noto que chego a casa e não dei um abraço a ninguém e não dei um sorriso, não fiz uma surpresa, um desenho, uma flor, uma folha de outono como se fosse um presente importante. Agora eu tenho medo das prisões libertas que são as pessoas. Esqueci de como é amar o mundo, porque me virei para mim, para ti.
Vou mudar Isto., reaprender a alegria de sofrer por construir felicidade vezes demasiadas, como eu fazia. Vou reaprender-me no bom que eu tive. Vou reler os textos de quando gostava que se identificassem comigo e tu me deixavas identificar-me contigo. É por Isto. que nunca me rasgo o que fui, como fazes tu. É sempre preciso redescobrir o lado bom do que passou e aceitar que temos regressões, que é preciso redefinir espaços e voltar a antigas soluções.

Deixei de usar a etiqueta "Sempre sonhando" porque deixei de saber o que é isso de ser criança. Talvez nos consigamos reencontrar, cada um a si e os dois a cada um. Acredito sempre na mudança.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Anti-AutoRepressão

Levei muito tempo a perceber Isto. que tenho de re-escrever. Não foi muito...foi muito para mim, que tive o impulso vezes sem conta e eliminei o instinto com o medo de estragar, nao sei. Volto aqui porque não posso de forma alguma perder a capacidade de me expor...volto aqui como um processo para a minha pessoa. Para o meu projecto de conseguir ser intocavelmente Sandra em todas as situações: o meu projecto impossível. Mas os sonhos só vivem se ainda não foram alcançados. Isto. nem é um sonho. É uma coisa em que acredito, fé. Um capricho velho de ser anti-autorepressão. Um projecto que faz de mim uma pessoa alegremente infeliz, como seria de qualquer maneira.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Não há mais nada que se possa fazer aqui, nos momentos em que sou uma pessoa decente.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Segurar o personagem torna-se difícil nos dias de um público irrequieto.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Performance de Autocarro

Há sempre coisas a fazerem o teatro apaixonar-se por nós. Há sempre em nós uma paixão por Fazer, não digo ver, teatro. Nada é falsidade ali, tudo têm a desculpa de ser teatral. //

Performance de Autocarro:
A hiperactividade é constante e indiferente às passagens de um a outro lugar. O ritmo chega a ser abiológico, porque transportando em um corpo elouquente energético. Escreve-se a comer as letras ao português. Nunca poderei ser tradutora ou monge copista. Devaga-a-a-a-r... a assistência lembra-se dos meus olhos atrás do cabelo teatralodesgrenhado pelos assuntos elouquecentes dos dias que não me chegam aos ouvidos a um ritmo imparável. De quem? Fui eu que escolhi este extremismo.

sábado, 17 de Outubro de 2009

Esse Deus que dá o Sol

Sei que não mereço. Não é convencimento, simplesmente não mereço esta coisa de ninguém poder pegar-me. Sou o melhor que posso, não mereço esta indiferença de Deus. Tenho sempre, mas sempre de ser loucamente dedicada. Nunca esse Deus se lembra de um beijinho de sorte a mim. Os sorrisos nunca me os dá em forma de pessoas. E choro à primeira fantasia de solidão a vida inteira. Assim sempre, só, com gatos a passear-me nas pernas. Noite após noite a querer pôr nas paredes o ar de escalada. A querer rasgar os papéis que escrevi a todos... por saber bem demais as almas que não são minhas.

Chega. Quero a minha alegria, o SOL.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Linhas cruzadas . Os telefones.

Disse-lhe. Quando chegar aos 25 anos, eu. Vou. Vou ter com ele, porque ficou provado, se estiver sozinha, que não fui feita para Isto. Isto. de ter sorte em amores... Se calhar não têm de se ter. Nunca a vi, consegui um mundo de imaginações, libertações e sonhos. Consegui pessoas das quais me despego por não saber agarrar-me. Agarro-me a quem me não quer, quer-me quem não consigo agarrar-me. O mesmo. Fico sem palavras para ele, a quem disse que se o destino não me desse amor, que me o desse a ele. Que sempre têm um lado que me faz chorar a tristeza de não corresponder aos mundos inventados que eu inventei com outros. Quantos podem vir a ser reais?

domingo, 11 de Outubro de 2009

A energia da madrugada...aquela que esparrama contra as paredes como se fosse noite escura e a luz tivesse faltado de dia ainda. E não apetece comer nada e toma-se banho a achar que o quente da água são cobertores ainda. E é aí, que a água quente falta e uma pessoa acorda com arrepios para a vida com muito maior perspicácia. É assim que a agressividade auto, se torna sustento.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Hoje não escrevo.

É difícil demais escrever numa sala impessoal de computadores de toda a gente, numa escola com precianas corridas e chuva em ameaça. É difícil demais escrever vestida de vermelho em um teclado que não compreendo. Por isso dicidi, hoje não escrevo!

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Acreditemos no estar bem disposto, dias seguidos!

É bom ter uma rotina novamente e nova. É bom ter gentes novas e ter as velhas mais uma vez. É bonito ver o Outono de Coimbra e acordar com o sol ou a chuva miudinha...que fui aprendendo a gostar mais. É bom estar em silêncio morno nos autocarros. Ter a vontade de fazer as coisas bem e novas. Ter a certeza de que há novos desafios e metas mais elevadas, superar, ou não. É bom estar concentrada e conseguir...é isso que me faz alegre no estudo. É bom o regresso à cidade que é minha há 20 anos e eu dela. Que talvez eu abandone e talvez eu regresse. É bom ter duas moradas diferentes e acolhedoras. Construir-me mais um bocadinho =)

Finalmente TEATRO! O amor da minha vida :)

domingo, 4 de Outubro de 2009

O erro foi sempre os pontos finais. Arrasto-me por pontos, desta vez por três. Reticências. Nunca é só uma vírgula. Melhor era que decorresse o mundo sem pontuação e fosse fácil continuar sempre na mesma linha sem os desejos de evasão vontades de pausas finais de histórias

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Mães dos maiores reis da história falhada

Era uma senhora velha e por isso achou que me podia dar sermões sobre o que devo fazer, o "correcto". Tinha o rei na barriga e por isso, por estar grávida de ignorância, eu deixei que ela me enxovalhasse. Fiquei com pena por saber que como ela, existem muitas mais pessoas. São extremamente infelizes... mas nunca conheceram a felicidade e, por isso, acham que a vida tem de ser e deve ser regras rígidas e cara séria. Que "O correcto" existe e elas o sabem, por isso são grandes. Não me importo que esses me levantem a voz. Tem de se apegar a alguma coisa... quase religião.

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Os demónios do parapeito

Quando vou ao supermercado vejo uma série de gente. As senhoras da caixa conhecem-me, mas pouco me olham nos olhos. Acho que é de me verem no parapeito da janela. Têm medo que eu seja uma espécie de demónio que voa de noite de parapeito a parapeito e as espia. Eu voava, se pudesse, mas havia de ser para uma só casa que me quisesse lá, como o dono. Um lar, em vez de um quarto. Enquanto não voo espero que alguém voe para aqui. É por isso que o parapeito é largo.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Não consigo escrever, nem ler, nem estudar, nem pensar. Adormeci-me sem querer e agora só me permito fazer coisas práticas e sem exigência do dia-a-dia. Não sei se tenho a minha essência...

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Outono

Outono. A estação mais bonita de todas. E talvez essa paz seja ele que me a dá. As folhas todas a servir de cama colorida, as lajes aquecidas pelo calor dos dias que não fazem o insuportável nem precisam de casacos grossos. A lentidão da serena agitação dos sapatos apressados por quererem fugir do sonho que lhes é o verão. Poder sentar no calor acolhedor de uma manhã na cama de chuva na rua, miúda...e mais umas coisas assim que fazem ter vontade de sentar a receber sol e sorrir à pessoas que passam. Às folhas que caem.

É curioso que tenha registado Isto. na minha memória:
http://isto-arco-aurora.blogspot.com/2008/11/outono-washington-maguetas.html
Nesse dia perguntaste se podias ser a meia que seria meu par e eu sei que respondi algo perto do "não te conheço". Algumas coisas mantém-se.

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Rooms by the sea - Edward Hopper


Estou em stand by. Não tenho de arranjar nada para me ocupar, não tenho necessidade de fazer alguma coisa. Posso estar horas a olhar serena. Simplesmente faço o que me pedem e faço-o bem e sinto-me bem com isso. Não se passa nada na minha cabeça, está tudo calmo e o talento da minha espera "agrava-se". Nem de escrever necessito, faço-o para registar o momento, apenas. Nenhuma angústia, nenhuma dúvida. Uma paz enorme e paciente como eu só tenho uma vez por ano.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

É tão facil encantar quem se não quer. Parece que tudo me sai novo aos ouvidos alheios. Novo e brilhante.
É tão difícil permanecer intocável no ser, sem querer parecer nada, com quem se quer. É um esforço incompreendido e lutador contra a tendência do actor.
Há coisas que nunca deviam interferir, mas o tempo é comprido. É pelo tempo que espero, porque o tenho e à paciência que me foi impingida, como doses letais.

sábado, 19 de Setembro de 2009

Sei só que é alegre estar-se vivo, mas gostava de vivacidade na minha alegria.

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Casa sem gatos

O que me assusta é a falta dos gatos nas casas. Ninguém que me anuncie a presença do que passa leve demais. Nenhuns olhos desafiantes, doces e agressivos sempre que a expressão tem de mudar por razões ocultas. Sem o balançar suave da sofisticada elegância de um pelo macio que tão rápido se aproxima como se esquiva. Como alguns.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Lobo

Hoje, num banco de jardim fora dele, sentou-se ao meu lado um homem de olhos muito azuis e a vivacidade das cores nos desenhos. Eu pedi-lhe para ver os desenhos e vi uns olhos azuis tristes mas ávidos de mundo, mesmo sozinhos, sempre lutadores, sempre eles. Hoje conheci um poeta dos que vão à rua para ver o mundo e envelhecem de o verem sempre novo:


"Não tens tempo para a poesia, para seres poeta precisas que te deitem água nos pés. Precisas do grito para te desprender das cordas do destino que sempre vai existir entre ti e a tua família convencional, entre ti e entre todos os mandamentos e todas as religiões. Não tens tempo e essa falta de tempo está entre ti e outro corpo e depois o suor do outro corpo com o suor do teu corpo vai ser uma gritaria pela casa. Tu vais trabalhar, vais acordar muito cedo para a tortura produtiva que te compara a uma máquina adaptável a um sorriso feliz e obdiente. Vais entrar naquele comboio e engolir o sopro frio da chaminé daquela fábrica. Quando regressares vais encontrar uns braços abertos, uns olhos muito vivos. O perdão do mundo nos olhos dos nossos filhos"

Lobo

Dante Rossetti

É até eu sei lá onde a angústia. De não haver nada. De as coisas não virem e serem pedidas a toda a hora. É desesperança de que alguma vez possa o meu olhar nunca ser parecido com o da pintura de Dante. Vago e apertado no coração (e talvez seja a primeira vez que sou capaz de me contrariar e escrever esta palavra. Tal como não escrevo a palvra amor, porque não a sei). E ao mesmo tempo a certeza de que não são as coisas assim. A segurança de que mais tarde ou mais cedo tudo fica bem...porque é para que tudo fique bem que não sou má. Se não for para ficar, mais vale passar por cima de tudo e todos. Fazer o que dá enquanto dá, seja como for, isto. é tudo exagero meu.

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Mais vale só e mal acompanhada

Não quero mais querer a beleza nem a aprovação. Se vier, que seja por acidente e não esforço meu nesse sentido. Quero que me queiram a mim e assim, evidentemente com adaptações necessárias. Não me hão-de, os deuses, deixar-te ficar-me sozinha e se ficar aprenderei a fazer tudo de outra forma, cada vez mais mecânica, provavelmente. Se for preciso um dia artificializo-me, uso as técnicas da profissão, e arranjo de alguma forma companhia desajeitada que nem preciso de querer, mas mais vale só e mal acompanhada (se a companhia se deixar ser usada e suportar bem a falta de atenção). Sozinho vai-se a todo o lado e é precisa a ficção de uma companhia mesmo que pouco desejada.

Foi assim que a chuva que não veio hoje, quis.

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

O bicho da escrita - Rui Zink

"Eu - sou um leitor. Sei o que sou: leio o que os outros escrevem. Faço-o até compulsivamente. É a minha rotina de há muitos anos. Sou um leitor num mundo de escritores, e isso faz-me sentir muito sozinho.[...]
Só mais uma palavra. Não escreva a responder. [...] Apareça, apenas. Eu saberei reconhece-lo/a, e você também me reconhecerá com facilidade. Seremos os únicos – na praça, no jardim, na rua, no café, onde quer que nos encontremos – sentados pacatamente, com um sorriso nos lábios e um livro, aberto, na mão."

O bicho da escrita, Rui Zink

São assim as coisas e nem sempre mudam no tempo que se quer. Mas sempre mudam na hora certa e certas estão as mudanças. Será?

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Março de 2009

"Minto. Só choro se ninguém me vê. As pessoas da rua são ninguém para estes casos. É tão difícil, julgo que para todos, chorar com quem nos vê... detesto os “tens de ser forte”, desde quando é que isso é verdade? Desde quando uma pessoa não deve chorar, extravasar as dores que vão lá dentro? Junto a quem me conhece choro só se me magoar fisicamente. Não há muita gente que respeite o choro de uma dor que não é física ou que não seja por doença ou um namoro acabado... não sei porquê, mas não há. Se temos família, amigos, saúde e dinheiro, está tudo bem. E não é assim, às vezes choramos por outras coisas, por nós mesmos. Olham, comentam entre si a tristeza que possa estampar-se em algum rosto. Dão-lhe uma razão qualquer macabra e pronto, problema solucionado. Não interessa se é preciso uma mão, se é preciso que chorem com ela. Não se querem partilhar silêncios de uma dor de compaixão, de solidariedade. Tenta-se animar...quem chora não quer estar animado. Não querem ouvir as mesmas palavras ditas de vários ângulos repetidamente... desde que haja uma razão, é deixar que chore, ali num canto, até se lembrar que não pode chorar mais, ou até não conseguir parar de chorar e morra assim. Chorou para sempre."

A ti

Insisto sempre n'isto de te falar como se não falasse a ti, mesmo quando falo. Não quero mais. Não me apetece dirigir-me a um vocês, continuar nessa falsidade. Falo-te aqui, se te quero falar aqui e pronto, ninguém tem de aturar, mas podem. A ti também te aturam a falares aos tus que te apetece. Se me refiro a um tu sem mais nada já sabes quem és. Quando deixares de ser eu digo. Faço-o porque se não o fizer vou ganhar medo. Corto o mal pela raiz e pronto. Se não gostares sabes quando leres, se leres, que não gostas que te exponha assim. A raiz corta-se logo pelo mal.

domingo, 6 de Setembro de 2009

a F.

Não me fazes ainda falta porque acabaste de te ir. Eu sei que vão haver dias de baixa e eras tu que me ouvias as queixas, desde os dentes aos lados do coração. Vão haver dias em que preciso da certeza de que o teu Deus existe e está comigo também. Vão haver alegrias que não podes ouvir e ninguém as vai querer comigo. Vai chegar o dia em que eu corro tudo para te reencontrar. Ficarei feliz, porque encontrarei sempre essa bondade com a qual não sei zangar-me. Porque sei que nenhum adulto tem em tanta harmonia a sabedoria de um velho e um coração de criança sonhadora... que eu não posso pegar por ser tão de pequenino.

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

A rica Faty Gótica

A minha professora de português do 11º e 12º ano nunca gostou de um único texto que eu escrevesse e felicitava-me por eu ter 13 nos testes. No 10º tive 16 como nota final. Acho que devo a essa mulher o pôr-me a escrever. Quando alguém que não gostamos nos enxovalha, nós progredimos, mesmo que seja à custa de uma vontade de contrariar quem nos enoja.

Há tanto tempo (espero por ti) - Jorge Palma

Há tanto tempo espero por ti
na solidão do meu lugar
vem aquecer-me a cama
traz flores para o jantar

Sempre habitaste o meu coração
és a razão do meu fervor
mas não te vejo a cara
não sinto o teu calor


Podes contar ao mundo
como eu te procurei
quando me for embora
diz que te encontrei

Mesmo que tu não sejas real
ou sejas quem eu não previ
hei-de inventar-te sempre
hei-de esperar por ti


Há tanto tempo (espero por ti), Jorge Palma


E pronto, peço a deus que exista ou o destino, que sustente a minha fraqueza e me fortaleça os dias, como os de todos.

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Auto

Sei todos os dias que tenho alguma coisa de novo para mostrar. Uma coisa que não sei o que é. Uma coisa qualquer que provavelmente só surgirá quando eu tiver a minha segurança. Uma segurança que eu penso que pode ser dada por outra pessoa. E talvez não. Talvez outra pessoa chegue a mim quando eu já tiver a minha segurança. Talvez a segurança tenha de ser minha e não dos outros...e não sei. É difícil demais criar com a auto-censura que vocês me trazem embrulhada.

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Não acredito no que vos disse ou digo
Chantagio as emoções para que se escrevam assim
Lidas
Nos olhares que se evadem
Dos medos verdadeiros que mais tarde escrevo,
Eu,
Na mistura de cores com registos da câmara dos sentidos
Que traz a proeza de procurar a satisfação
Naquilo que eu sei que não está
Mas acredito agora, que sim.

Os 10 tesouros

O meu tesouro mora na sala. 9 dos meus tesouros. Um deles, alternadamente, mora junto do lugar onde durmo. Os meus 10 tesouros são aquilo que eu exijo quando sair desta casa comum...são um sustento para sempre. São aquele que me soube, a mim e a todos antes e depois de todos terem nascido.

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Gavetas

Arrumar gavetas é descobrir que acumulamos e acumularemos porcarias sem valor a vida inteira. É desfazer-se de partes, já sem nexo, do passado. É descobrir que em tempos fomos amigos de gente que nos mandava cartas e que é tão fácil esquecer tanta gente. É admitir que há memórias boas e más que sempre serão um marco nas gavetas das nossas casas, mudamos as vezes que mudarmos. É rever o pratinho em que comíamos as papas aos cinco anos. É olhar a receita dos panados que só a avó sabe fazer com aquele sabor especial...mesmo que mais mil e quinhentas pessoas tenham a mesma receita. É retornar à ideia de que há pessoas transitórias e há as que ficarão sempre, façam-se as limpezas que se fizerem.

Sonho 1

Havia uma cama. Haviam dois arquitectos. Eles entraram na casa onde eu dormia, nas mãos com o projecto. Eu dormia na cama que tinha cerca de cinco centímetros de água acima do colchão. Eles entraram sem perguntar nada, pousaram o projecto em cima da cama, ao meu lado, submergido. O projecto estava feito à mão e começava agora a borratar-se, mas eles continuavam a falar dele como se ele para sempre os esperasse ali, muito direito. Não.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

D.Quixote foi-se embora - Jorge Palma

Acende mais um cigarro, irmão
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual

E agora, que a lua escureceu
e a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar

A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição

Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio

D.Quixote foi-se embora
, Jorge Palma

domingo, 23 de Agosto de 2009

Volta-se sempre a Isto. No final corro sempre para o que nunca me abandona, nunca vão ser pessoas. Se são boas abandonam-nos porque morrem ou porque ficam em uma espécie de coma dentro do mesmo corpo ocupado agora por outra alma. Espera-se o acordar. Às vezes acontece e até voltam melhoradas. Outras vezes morreram para sempre e são memórias. Boas memórias. Um dia deixarão de fazer chorar de saudade (porque nos habituamos a ela) e farão sorrir por serem mais um traço da nossa própria personalidade que nem toda a gente tem o talento de construir. São as pessoas que marcam, os anjos.

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Até já?


Quando perco o poder de me e de surpreender os outros, quer dizer que existe em mim um cansaço...de mim e dos outros. Férias. Vou tentar estar caladinha durante um mês pelo menos. Uma coisa é certa, se voltar a ter necessidade de me publicar não faço um novo blog. Este serve e faz parte da história e mostra evoluções e regressões e mostra-me a mim como fui e como sou. Ou tenta. Objectivo cumprido, escrever-me.

O meu céu está, portanto, laranja :)

sábado, 8 de Agosto de 2009

Quem canta seus males espanta :)

sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Efeito Artaud às 4h da manhã

Há duas coisas que não batem certo na terra. Que são: a lua, os candeeiros e as pedras preciosas. A lua não bate certo com a terra porque a ela a terra não serve de nada. De resto, ilumina a terra, à noite, excepto se houver eclipses ou for lua nova. Nos dias de lua cheia é como candeeiros. Estes, por sua vez não batem certo com as janelas dos quartos sem portadas ou persianas, porque se apaga a luz pra dormir e afinal há luz na mesma. Na minha opinião, os candeeiros só deveriam ser permitidos em praias desertas. onde o mar traz aquelas algas que lembram percevejos, que àquela hora deviam estar a arrancar batatas porque são eles que as comem. As pedras é só porque sim, eu gosto delas.

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Paul Gauguin



Paul Gauguin
Mergulhar os pés em água, fonte de vida, de cor. Adormecer em rosa, dançar em vermelho, trabalhar em branco. O Deus, a figura de protecção, superior a humanos é miserável e escuro. Tudo tem vida nesse quadro, menos a perfeição. No entanto, é ela que está mais alta, é ela que se encontra no centro. No eixo de tudo e, apesar de alcançável por ninguém, apesar de negra, continua magnética.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Le Robe de Mariée - Paul Delvaux



"Le Robe de Mariée", Paul Delvaux.
A noiva de branco, imóvel. Partem os comboios, as portas fecham-se. Vão assim embora as luzes e terá ela de brilhar pelo seu branco, se conseguir. Já não chora. Depois da igreja fechada, dos convidados partirem cansados da imensa espera em vão do noivo... fica ela, vazia. Como um anjo, serena, pronta a mais uma vez ser forte... como ela não queria ter de ser.

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Les Reveries du promeneur Solitaire - René Magritte


"Les Reveries du Promeneur Solitaire" (1926), René Magritte.
É mais fácil depois da ponte passada. Segue-se o caminho da água que corre para onde nunca se soube que era o mar, o horizonte infinito. Deixam-se as florestas negras, os céus escuros, as ventanias frias. Pode olhar-se tudo uma última vez e depois escolhe-se tirar o casaco, abandonar o chapéu...escolhe-se ficar nu. Uma paz faz dormir para o sonho. Quando se acorda, o céu será de um azul muito claro, o sol constante, a ventania inexistente e as florestas ricas de frutos. O curso de água continuará, sempre. Desta vez não se anda de costas.

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Rodocrosita, pedidos a


Peço-te um lado rosa ou vermelho, verde...peço a cor que me queiras dar. Peço a ti para me acompanhares sempre que puderes, o melhor que conseguires.

sábado, 1 de Agosto de 2009

Se eu pudesse, era também um felino


A segurança de uma mãe. O olhar que ataca por um lado, defende pelo outro e seduz sempre. Ela simplesmente sabia que tinha conquistado tudo. Uma criança nunca nos abandona e toda a gente precisa de companhia de alguém. Ela ganhou os dois e daí, a confiança, a segurança, o olhar eternamente cativante e misterioso. O necessário.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

The wandered above the mists - Caspar David Friedrich




"The wandered above the mists"(1817-18), Caspar David Friedrich
A tempestade, todo esse nevoeiro não é meu. Não é a minha natureza ficar parada no meio de nevoeiro e chuva. Olho de cima a tempestade, como ele, brinco com ela, pinto-a, danço-a, dou-lhe a musicalidade que a faz parecer leve...mesmo sendo ela a causa da minha febre, mesmo sendo completamente cinzenta. Não sou assim, não sou tempestade, sou a que no fim da chuva salta alegremente(irónicamente) em cima das poças, vestida de cores.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

...de cores



São necessárias cores vivas!

Bairro do Amor - Jorge Palma

No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Pausa

Há que saber parar, para sempre ou não.

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Nunca minto, mas posso florear a verdade...

Há coisas que o cansaço esquece. O descanso tem de relembrar constantemente essas coisas que deixam que viva em entrega. Que deixam que acredite, mesmo que seja mentira. Não é importante a verdade...é importante que se faça acreditar verdadeiramente que é verdade e que esse engano sirva para o bem de quem recebe a mentira. Confiar na bondade das pessoas é a coisa mais valiosa que conheço...e depois há aqueles que não mentem, fantasiam e, na imaginação de cada um, aquilo torna-se realidade pura. Vou admitir que a imaginação de cada um é uma verdade universal...